A fenda no gelo da Antártida está quase a partir-se

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Faltam apenas 10 km para que a fenda localizada na placa de gelo da Antártida, se separe e crie um iceberg gigantesco, este será 300 vezes maior do que aquele que afundou o Titanic.

Esta fenda tem agora 180 quilómetros de comprimento e já há muito ameaça soltar um iceberg gigante da plataforma de gelo Larsen C. São apenas 10 quilómetros que evitam que o bloco de gelo do leste da Antártida se parta. As mais recentes imagens capturadas mostram uma bifurcação significativa e cada vez maior, assustando assim a classe científica.

Desde o mês de Fevereiro, deste ano, que o comprimento desta fenda na plataforma de gelo Larsen C não crescia, mas agora, o perigo volta-se para a bifurcação que surgiu numa das pontas da fissura. Esta tem já um tamanho de cerca de 10 quilómetros e ficam a faltar outros 10 para chegar até ao final da abertura.

Todos os dados recolhidos pelos cientistas do Projecto Midas das universidades de Swansea e de Aberystwyth, no País de Gales, no Reino Unido, e do Instituto de Pesquisa Antártico Britânico não deixam dúvidas. Mais tarde ou mais cedo esta fenda vai resultar na separação do bloco de gelo que, por sua vez, se transformará num iceberg que pode atingir um tamanho de até 300 mais altura e largura do que o que afundou o conhecido Titanic.

Em Janeiro de 2017, esta fissura estava ainda a 20 quilómetros de se soltar, a separação parece agora cada vez mais iminente e está inclusivamente a avançar a um ritmo acelerado e muito superior ao esperado pela comunidade cientifica.

As imagens são de satélite, uma vez que o Inverno não permite a observação a olho nu e estas revelam uma ‘língua de cobra’. Os cientistas acreditam ainda que esta nova abertura aconteceu devido ao facto de a fissura original ter atingido gelo mais macio, o que terá então transferido a pressão para outra zona do iceberg. Os investigadores não culpam, ainda assim, as alterações climáticas, e defendem até que se trata de um fenómeno geológico. Essa justificação prende-se com o facto de ser frequente a queda destes blocos de gelo, estes são resultado dos movimentos internos do planeta Terra.

Não obstante, o aquecimento global também terá a sua parte de culpa na velocidade que este processo está a tomar.

Este aparecimento não deixa de preocupar a classe científica pois o risco de esta estrutura de se separar, pode interferir na configuração da paisagem da Antártida. Os investigadores lembram ainda que a instabilidade deste degelo pode ser agravada por outro estudo recente, o de que o vento quente que se faz sentir sobre a Península.

O risco de colapso não é um caso único, estudos comprovam que só na última década, as plataformas Larsen A, em 1995, e Larsen B, em 2002, também seguiram o mesmo caminho, a sua desintegração resultou no aumento do nível médio das águas do mar.

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