Exploradores conseguiram ver pela primeira vez dentro das misteriosas montanhas tepui na Amazónia

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Apesar de todas as nossas tecnologias de mapeamento insanamente precisas e do nosso insaciável desejo de ver tudo na Terra, grandes áreas do nosso planeta permanecem praticamente inexploradas, isoladas da civilização pelo clima inóspito ou terreno impossível. E apesar de a dada altura esta ser a descrição perfeita para as montanhas tepui da Amazónia, exploradores finalmente arranjaram uma forma de aceder às suas incríveis florestas e grutas.

Para os menos conhecedores, tepuis são umas montanhas de topo plano que são de difícil acesso devido aos grandes desfiladeiros que as rodeiam – por vezes com 3000 metros de altura. Ao longo dos seus cumes e dentro das suas grutas, habitantes exuberantes vivem isolados, o que as torna áreas primordiais a estudar.

Um desses pontos altos, o Monte Roraima Amazónico, foi o palco para o conhecido romance de Sir Arthur Conan Doyle “O Mundo Perdido”, onde representa a casa de uma tribo homens macacos e diversas espécies de dinossauros vivos. As aventuras actuais não encontraram quaisquer dinossauros ou macacos que aparentem hominídeos (até agora), mas as suas descobertas são fascinantes de qualquer forma.

Francesco Sauro, Especiologista da Universidade de Bolonha em Itália está a liderar a expedição, depois de recentemente finalizar a uma viagem de pesquisa de 40 dias através de Imawarì Yeuta tepui na Venezuela, onde existem mais de 22 quilómetros de grutas e túneis.

Os resultados totais da expedição não serão publicados até Novembro, mas Stephen Ornes do New Scientist reportou algumas das descobertas.

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O próprio Sauro descreve as grutas como “um mundo completamente novo” e “como ilhas do tempo”. Dois ambientes montanhosos podem desenvolver-se de forma bastante diferente porque evoluem em isolamento, que significa que exploradores experientes nunca sabem exactamente o que esperar quando lá chegam.

Claro que, não existem mapas detalhados da área, por isso a equipa baseia-se em imagens satélite de alta-resolução e missões de reconhecimentos onde as localizações mais promissoras são sondadas previamente.

Dentro das grutas quartz sandstone – que provavelmente levaram dezenas de milhões de anos a formar – a equipa espera descobrir minerais e espécies únicas de animais que nunca foram antes vistos. As grutas estão cheias de espeleotemas de formatos peculiares (estalactites e estalagmites) esculpidas por colónias de microrganismos, e Sauro e os seus colegas esperam finalmente descobriram como se formam.

“[As grutas] protegem o material do exterior”, disse um membro da equipa, geógrafo e cartógrafo Jo de Waele. “Não existe vento, nem erosão de superfície. É incrível”.

Os exploradores da Amazónia querem compreender mais acerca da forma coma a vida existes e se desenvolve nestes ambientes misteriosos, e outras viagens já estão planeadas. Tipos de bactérias previamente desconhecidas já foram encontradas nos estudos preliminares dos dados da Venezuela, apesar de irmos ter de esperar pelo relatório final para ver o quão útil poderão ser para o mundo da ciência.

“Todas as expedições revelam novos ambientes geológicos e biológicos escondidos no subsolo”, escreveu Sauro para o The Guardian em 2014. “Com efeito, é como explorar um novo mundo, o seu próximo passo apenas é visível graças à sua lanterna”.

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[ScienceAlert]

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