Estudo descobre marcador no cérebro para memória fraca em pacientes de esquizofrenia

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Um novo estudo identificou um novo padrão de actividade cerebral no cérebro que poderá sinalizar problemas de memória em pessoas com esquizofrenia. O biomarcador, que os pesquisadores acreditam que possa ser o primeiro do género, é um importante passo para entender e tratar um dos mais devastadores sintomas de esquizofrenia.

O estudo, conduzido pelos pesquisadores da Columbia University Medical Center (CUMC) e o New York State Psychiatric Institute (NYSPI), foi hoje publicado no jornal Biological Psychiatry.

Apesar de geralmente a esquizofrenia causar alucinações e ilusões, muitas pessoas com a doença também têm deficit cognitivo, incluindo problemas com memória de curto e longo prazo.

“De todos os sintomas ligados à esquizofrenia, os problemas de memória são os que têm maior impacto na qualidade de vida, pois tornam complicado conseguir ficar num emprego e manter relações sociais”, disse o autor principal Jared X. Van Snellenberg, Doutorado, professor assistente de psicologia clínica (em psiquiatria) na CUMC e cientista de pesquisa na divisão de imagem translacional do NYSPI. “Infelizmente, nós sabemos muito pouco acerca da causa destes problemas de memória e não temos qualquer maneira de os tratar”.

Os pesquisadores há muito tempo assumem a hipótese de que os problemas de memória na esquizofrenia derivam de rupturas no córtex pré-frontal dorso-lateral do cérebro (DLPFC). Esta área do cérebro tem um papel chave no funcionamento da memória – o sistema onde é armazenada temporariamente e gerida a informação necessária para cumprir tarefas cognitivas complexas. No entanto, estudos prévios, que utilizaram imagens de ressonância magnética funcional (fMRI) para comparar a activação do DLPFC em indivíduos saudáveis e nos que sofrem de esquizofrenia enquanto faziam testes de memória, não demonstraram mudanças claras.

O Dr. Van Snellenberg pôs a hipótese de que os estudos falharam em detectar uma diferença porque os testes de memória não tinham níveis de dificuldade suficientes. Em 2014 ele e os seus colegas desenharam um teste computorizado que inclui oito níveis de dificuldade progressiva numa única tarefa de trabalho de memória.

No estudo actual, 45 sujeitos saudáveis e 51 pacientes com esquizofrenia, incluindo 21 que não estavam a tomar medicações antipsicóticas, tiveram de fazer o teste de memória com oito níveis enquanto eram observados através do fMRI. Como esperado, os indivíduos saudáveis demonstraram um aumento gradual da activação do DLPFC, seguido de uma gradual diminuição da activação à medida que a tarefa se tornava mais complicada. Mas quer nos pacientes de esquizofrenia medicados como nos não medicados, a resposta no geral foi significativamente mais fraca, com a resposta mais fraca a ocorrer com aqueles que tinham tido mais dificuldade no teste de memória.

Os pesquisadores acreditam que esta poderá ser a primeira vez que um sinal do cérebro oriundo do DLPFC foi directamente conectado com a performance da memória em pacientes com esquizofrenia.

“As nossas descobertas providenciam provas que a DLPFC é comprometida em pacientes com esquizofrenia”, disse o Dr. Van Snellenberg. “O que não nos dizem é porquê, que é algo que esperamos acabar por saber. Entretanto, agora temos um alvo especifico para tratamento, e uma nova forma de medir se o tratamento está ou não a funcionar”.

[MedicalXpress]

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