Estas novas ‘bombas de fragmentação’ de nanopartículas poderam tornar a quimioterapia menos tóxica

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A quimioterapia é uma das principais armas contra o cancro, mas vem com um grande conjunto de efeitos secundários e danos para as áreas circundantes, e saudáveis do corpo do paciente. Uma equipa internacional de pesquisadores criou o que pensa poder vir a ser uma forma muito menos tóxica de tratamento, e é baseada em ‘bombas de fragmentação’ de nanopartículas.

O novo procedimento é desenhado para melhorar a entrega da droga da quimioterapia cisplatina. Trabalha utilizando pequena nanopartículas, com apenas 100 nanómetros de largura, que são carregadas com fármacos e transportadas para o local do tumor através dos vasos sanguíneos. Assim que atingem o seu destino, o ambiente acídico que envolve as células do cancro faz com que elas se separem em partículas de 5 nanómetros de largura, que depois se podem mover dentro das células tumorais.

Neste ponto, a cisplatina pode fazer o seu trabalho de dentro das células tumorais, danificando o DNA cancerígena para efectivamente mata-las. Para lhe dar alguma ideia da escala, dentro de um milímetro cabem milhões de nanómetros.

Em testes efectuados em ratos de laboratório, as equipas da Emory University nos EUA e a University of Science and Technology of China descobriram que a concentração de cisplatina que chegava aos tumores era sete vezes superior à normal. E se mais quantidade da droga está a atingir o seu alvo pretendido, significa que menos se está a dispersar pelo resto do corpo, diminuindo assim os efeitos secundários.

A equipa reporta que quando a cisplatina é distribuída pela forma usual, alcançou um aumento de 10 por cento de inibição de crescimento em testes no cancro de pulmão. Esse valor sobe para os 95 por cento ao utilizar o novo método com as nanopartículas.

As taxas de sobrevivência também melhoraram quando o processo foi utilizado em ratos com tumores de cancro da mama. “No modelo de metástase do cancro da mama, tratar os ratos com cisplatina revestida com nanopartículas prolongou a sobrevivência dos animais por semanas”, reportou a equipa de Emory. “50 por cento dos ratos continuavam vivos depois de 54 dias com nanopartículas, comparado com 37 dias para a mesma dose de cisplatina livre”.

nanopartículas-gotas

Claro que, apesar dos resultados parecerem promissores, a técnica até agora apenas foi testada em ratos. O ajustamento da técnica para ser utilizada com segurança em humanos vai levar algum tempo, e ainda existem algumas questões sérias sobre como garantir que os pacientes podem se livrar das nanopartículas de forma segura depois destas cumprirem o seu propósito.

Mas uma coisa é certa, realmente precisamos de encontrar uma melhor alternativa para a forma como se processa a quimioterapia, e este poderá ser um passo na direcção certa.

“Os efeitos secundários negativos da cisplatina são uma grande limitação para a quimioterapia convencional”, disse um dos pesquisadores, Jinzhi Du, da Emory University. “No nosso estudo, o sistema de administração melhorou a penetração no tumor para alcançar mais células cancerígenas, tal como libertar as drogas especificamente dentro das células cancerígenas através da sua propriedade de transição de tamanho”.

Não é apenas o tamanho pequeno das nanopartículas originais que faz o tratamento tão eficiente, é também a forma como elas se separam automaticamente em ‘bombinhas’ mais pequenas assim que chegam ao local do tumor. Eventualmente, os pesquisadores sugerem, que o tratamento possa ser aplicado a vários tipos de cancro.

O estudo foi publicado no jornal PNAS.

[ScienceAlert]

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