Escavações em Mértola revelam vestígios romanos

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Durante umas escavações recentes em Mértola, foi encontrado um importante conjunto que revelam vestígios da época romana no local. Achados como fragmentos de estátuas e até uma estrutura monumental, foram alguns dos objectos desenterrados do Campo Arqueológico de Mértola (CAM), escavações que decorrem no subsolo de um edifício da vila alentejana.

As escavações estão a ser realizadas desde há dois meses, na Casa Cor de Rosa, um edifício que se situa na parte mais antiga de Mértola, no distrito de Beja, numa obra da responsabilidade da Câmara Municipal. Segundo explicou o CAM, em comunicado divulgado esta semana, as escavações já permitiram identificar e escavar “estruturas com uma abrangência cronológica”, que vai “desde o século XX até ao período pré-romano”, por volta dos séculos IV ou III antes de Cristo (a.C).

Dos resultados obtidos até ao momento, segundo relevou Susana Gómez, do CAM, o destaque vai sem dúvida para os achados do período romano, o primeiro “conjunto importante” dessa época encontrado ‘in situ’ em Mértola, ou seja, no contexto de escavações. Ao longo dos anos, lembrou, o CAM encontrou, na vila alentejana, “vestígios muito importantes e que são bem conhecidos do período islâmico”, mas os que foram descobertos agora “são mais antigos, serão da época romana”.

“Havia e conhecem-se outras estátuas encontradas em Mértola”, mas essas “tinham sido descobertas fortuitas ou muito antigas, feitas no século XVI”, e que “fazem parte das colecções dos museus nacionais”, acrescentou ainda.

Susana Gómez destaco ainda que “é a primeira vez” que elementos escultóricos romanos “aparecem num contexto de escavação arqueológica”, o que permite “extrair mais informação e, sobretudo, contextualizar”, tendo, por isso, importância acrescida: “O achado no seu contexto vale muito mais. A grande descoberta deve-se a isso”.

Segundo o CAM, esta estrutura monumental, “construída com pedra e forte argamassa de cal e que tem dois metros de largura”, foi encontrada “nos níveis mais profundos da escavação”.

“Destas estruturas infere-se uma construção, com cerca de 11 metros de lado, que ainda conserva restos de paredes argamassadas e rebocos com pintura”, explicou o Campo Arqueológico. O conjunto escultórico que os arqueólogos pensam ser também da época romana está, neste momento a ser escavado “nos níveis inferiores, a cerca de 3,5 metros de profundidade”, e já foi identificada “parte substancial de um togado”.

“Os achados são, claramente, de grande importância e merecem uma atenção particular”, defendeu o CAM, acrescentando ainda ter descoberto um total de seis fossas detríticas, possivelmente do período medieval-islâmico.

A escavação arqueológica prossegue, “em princípio”, até ao final deste mês de Agosto, mas o trabalho dos arqueólogos vai continuar, lembrou também Susana Gómez, referindo ainda que vão ter de “registar tudo o que for identificado, para contextualizar melhor os vestígios”, e “trabalhar os materiais”, para uma datação mais rigorosa.

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