Encontrados caranguejos-azuis norte-americanos no Guadiana

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Os investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMAR), da Universidade do Algarve, descobriram no estuário do rio Guadiana, vários exemplares de caranguejo-azul, uma espécie com elevado valor comercial, característica da América do Norte. A descoberta foi divulgada esta semana.

O CCMAR desenvolve investigação nas áreas da oceanografia, biologia marinha, pescas, aquacultura, ecologia e biotecnologia e possui cerca de 250 membros, 110 dos quais doutorados.

A espécie (Callinectes sapidus), também conhecida como “siri”, considerada uma iguaria, é na verdade nativa da costa leste da América e foi, para surpresa dos investigadores, encontrada pela primeira vez no Guadiana, a mais de sete mil quilómetros de distância do seu habitat original. A espécie foi encontrada em Junho, e surpreendeu mais os pescadores locais, revelou o CCMAR, em comunicado.

Segundo o centro de investigação, existem registos de outros exemplares da mesma espécie, já capturados anteriormente no estuário do Sado, o que indicia que “estará numa fase de expansão na nossa costa, depois de provavelmente ter navegado, enquanto larva, nas águas de lastro de um navio que cruzou o Atlântico”.

O aparecimento de espécies invasoras no estuário do Guadiana tem vindo a aumentar nos últimos anos, com mais de uma dezena de espécies registadas, incluindo peixes, amêijoas, alforrecas, camarões, e mais recentemente este caranguejo, “o que pode ter consequências nefastas” para as espécies nativas, assim alertou o comunicado do CCMAR.

Mas, as espécies invasoras com valor comercial, como é o caso do caranguejo azul ou da corvinata real (Cynoscion regalis), registada no ano anterior, “podem ser um exemplo de como uma ameaça se pode transformar numa oportunidade de exploração”, referiu o CCMAR.

Por isso, face à inexistência de predadores naturais destas espécies invasoras, “a sua pesca contribuirá para o controlo da sua densidade”, aliviando a pressão de exploração dos recursos pesqueiros tradicionais, como a sardinha, acrescentaram.

“Novas alternativas de consumo deste tipo de espécies estão também a ser estudadas com chefs de restaurantes algarvios”, conclui o CCMAR, sublinhando ainda que os seus investigadores estão disponíveis para desenvolver “parcerias tecnológicas e científicas com qualquer setor da indústria pesqueira”.

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