Desenvolvimento de injecção que substitui a vasectomia

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Existe um grupo de cientistas que está a desenvolver um gel contraceptivo para homens, que poderá vir a substituir as vasectomias, publicação no The Guardian. O produto de nome Vasalgel, já foi testado em animais, mais precisamente em macacos, e funciona através de um simples processo de injecção desse mesmo gel no tubo de transporte de esperma, conhecido como canal deferente, actuando assim como uma barreira de longa duração. Este método consegue ser muito menos invasivo do que a vasectomia e os últimos testes mostram que foi 100% preventivo na concepção.

Contrariamente às vasectomias tradicionais, este processo pode ser revertido através de uma segunda injecção do gel, que vai dissolver rapidamente a barreira criada anteriormente e restaurar a fertilidade. Ou seja, existe a possibilidade de voltar ao processo de reprodução.

“As opções de contracepção para o homem não mudaram muito desde há décadas para cá. Existe a vasectomia, que tem poucas hipóteses de reversibilidade, e os preservativos. Se eles (homens) soubessem que poderiam ter à sua disposição um método contraceptivo fiável e que pudesse ser reversível, penso que seria bastante apelativo”, explicou Catherine VandeVoort, do Centro de Investigação National Primate, na Califórnia, e uma das autoras deste estudo. “Isto (Vasalgel) pode comparar-se ao DIU (Dispositivo Intrauterino) das mulheres”, acrescentou ainda.

A Fundação Parsemus, uma organização sem fins lucrativos que financiou este trabalho, também localizada na Califórnia, admitiu que a grande prioridade será realizar um teste em seres humanos, de modo a testar a eficácia dos resultados obtidos nos primatas. “Uma das melhores coisas acerca do modelo do macaco é que o sistema reprodutivo é muito semelhante ao dos humanos, o que faz com que existam boas probabilidades de ser também eficaz em nós”, explicou VandeVoort.

Contrariamente à vasectomia, o Vasalgel não interfere com os níveis de produção de esperma e de hormonas no corpo, o que significa que não se verificam quaisquer efeitos secundários. O esperma continua a ser produzido nos testículos, mas, em vez de ser ejaculado, dissolve-se e é absorvido naturalmente pelo organismo.

Apesar da inovação científica ter recebido a aprovação de muitas pessoas, diversas organizações sem fins lucrativos alertaram para o facto deste gel não poder ser visto como uma prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, segundo o The Telegraph. “Eu imagino que isto poderia tornar-se muito popular entre casais com uma visão parecida acerca da fertilidade, ou nos homens que, por uns tempos, não queiram correr o risco de uma gravidez não planeada, mas podem vir a querer ter filhos no futuro. No entanto, têm de ter cuidado para voltarem a ser férteis e claro, os preservativos são a única forma de prevenir doenças sexualmente transmissíveis”, explicou Genevieve Edwards, director das políticas da organização Marie Stopes United Kingdom.

Os resultados deste estudo encontram-se publicados no jornal Basic and Clinical Andrology.

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