Descoberto na Gronelândia um dos primeiros animais do Atlântico primitivo

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O paleontólogo Octávio Mateus, anunciou a descoberta de fósseis de plesiossauro, mais precisamente, um réptil marinho, que testemunha a primeira incursão no mar durante abertura do Atlântico há cerca de 200 milhões de anos.

O paleontólogo Octávio Mateus, é único cientista português em expedições paleontológicas à Gronelândia, foi ele quem anunciou a descoberta de fósseis de plesiossauro, um réptil marinho que testemunhou a primeira incursão no mar durante abertura do Atlântico há mais de 200 milhões de anos.

Um anúncio lançado este este mês num congresso científico pelos investigadores Jesper Milan, Octávio Mateus, Lars Clemmensen e Marco Marzola, validou esta descoberta do “plesiossauro mais antigo da Gronelândia, com cerca de 200 milhões de anos, e dos primeiros animais marinhos a explorar aquela zona” no início da separação dos continentes europeu e norte-americano, que resultou na abertura do Oceano Atlântico, afirmou Octávio à agência Lusa.

O Professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e investigador do Museu da Lourinhã, que no ano de 2012 e já este ano passado de 2016, integrou expedições internacionais à Gronelândia, explicou ainda que os cientistas tinham escavado apenas animais de “ambientes terrestres” do Triásico, com 220 milhões de anos, como anfíbios, dinossauros e fitossauros, répteis semelhantes a crocodilos.

“Em camadas um pouco mais acima, portanto mais recentes, do Jurássico Inferior, encontrámos três ossinhos [vértebras e costelas] que são de um plesiossauro, que é um animal marinho, logo é um dos primeiros vertebrados marinhos ligados à abertura do Atlântico e testemunha uma mudança ligada à abertura do Atlântico”, explicou.

Devido à escassez do material fóssil, os cientistas não conseguem identificar o género e a espécie de plesiossauro.

No último Verão, do ano de 2016, os quatro investigadores escavaram vestígios de fitossauros na Gronelândia de uma espécie ainda por determinar.

Além disso, poderá trazer novas explicações para a paleogeografia. “Se for mais aparentado a uma espécie europeia, quer dizer que do ponto de vista paleogeográfico aquela zona da Gronelândia tinha conexões terrestres com a Europa. Se for mais aparentado a espécies norte-americanas, mostra o contrário” apontou o especialista, esclarecendo que “a maioria da fauna daquela região tem uma afinidade europeia maior, o que é estranho, porque do ponto de vista geológico a Gronelândia pertence ao continente americano”.

“Todo aquele território está por explorar. É uma oportunidade para os paleontólogos descobrirem material novo”, acrescentou ainda.

Sendo um local inóspito e polar, os paleontólogos são transportados de helicóptero para as expedições e têm de levar tendas para pernoitar, mantimentos alimentares e foram ensinados a manusear armas para lidar com possíveis encontros com ursos polares.

Os achados escavados na última expedição científica, acabam de chegar ao laboratório do Museu da Lourinhã para serem preparados e estudados e seguirem depois para exposição num museu dinamarquês, o Geocenter Moensklint.

“É uma forma de dar continuidade a um trabalho de relacionamento com instituições de vários países com projectos e materiais que vieram de outras partes do globo, desde Moçambique, Angola e Estados Unidos da América”, afirmou Lubélia Gonçalves, presidente da direcção do Grupo de Etnografia e Arqueologia da Lourinhã, associação que gere o museu.

Esta trata-se da maior colecção estrangeira recebida pelo Museu da Lourinhã.

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