Descoberta Galáxia Anã Escondida em Fantástica Imagem de Lente Gravitacional

0

Esta espectacular imagem, tirada pelo Atacama Large Millimeter Array (ALMA) no Chile, gerou alguma surpresa. Apesar da imagem ser espetacular por si mesma, uma análise mais próxima feita pelos cientistas revelou uma possível galáxia anã negra escondida no interior, um tipo intrigante de galáxia que se tem esquivado dos cientistas até agora.

A imagem é um exemplo do chamado Anel de Einstein. Este é o efeito de lentes gravitacionais, causadas quando objectos massivos distorcem a luz de outro mais distante, criando um “anel” à medida que a luz viaja à volta dele. Este objecto em particular é chamada SDP.81, ou para lhe atribuir um nome formal completo, HATLAS J090311.6+003906.

Aqui, vemos uma galáxia a 12 biliões de anos-luz de distância, o “vermelho” na imagem, distorcida por uma galáxia massiva intermediária, a parte “azul” da imagem, a 4 biliões de anos-luz de distância.

Mas num documento publicado no Astrophysical Journal, o astrónomo Yasher Hezaveh da Stanford University na Califórnia e a sua equipa detectou sinais de uma galáxia anã negra escondida numa galáxia próxima, que distorceu a imagem da galáxia distante. Este objecto, destacado como o ponto branco na imagem acima, só pôde ser detectado graças à sua influência gravitacional na galáxia mais distante.


(Vídeo em Inglês)

“Podemos encontrar estes objectos invisíveis da mesma forma que podemos observar as gotas da chuva numa janela”, Hezaveh explicou numa declaração. “Nós sabemos que elas lá estão porque distorcem a imagem dos objectos de fundo”.

Acredita-se que esta galáxia anã negra se esconde algures junto da auréola da sua companheira maior. Mas o facto de os astrónomos não terem encontrado mais objectos destes tem sido intrigante. Acredita-se que existam milhares em torno da nossa galáxia, Via Láctea, mas apenas 40 foram detectadas até agora.

A resposta poderá estar na composição dos pequenos objectos. Esta ultima observação sugere que poderão ser constituídas maioritariamente de matéria negra, o que significa que emitem muito pouca a nenhuma luz visível. Mas o seu efeito gravitacional pode continuar a ser observado.

“As nossas medições actuais vão de acordo com as previsões de matéria negra fria”, disse o membro da equipa Gilbert Holder da McGill University em Montreal, Canadá. “De forma a aumentar a nossa convicção, necessitaremos de observar muitas mais lentes”.

[IFLScience]

Leave A Reply