Credo de Einstein: era nisto que Einstein acreditava

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Em Agosto de 1932, Albert Einstein escreveu o “O Meu Credo” em Caputh, na Alemanha, delineando as suas crenças ideológicas e politicas durante os seus últimos anos em Berlin. O original foi escrito à mão na Alemanha, e confiado a Konrad Wachsmann, o arquitecto da sua casa de verão.

No fim de Setembro desse mesmo ano, ou talvez no início de Outubro, Einstein recitou o seu credo e gravou-o para a German League of Human Rights. Aparentemente apenas existem 10 cópia da gravação original, em vinil, restantes no mundo. “O texto falado em comparação com o texto escrito deixa-nos sentir o elevado valor emocional e a profundidade da informação da gravação – apesar de todas as inadequações técnicas e de ser curto”, escreveu Hans- Josef Küpper no Site de Einstein. “Nesta gravação o grande Físico e Humanista demonstra a sua vontade de ter verdade, humanidade e paz de uma forma impressionante”.

Essa gravação foi em alemão, mas se quiser ter uma ideia de como Einstein soava quando estava a falar em Inglês, vá até ao Open Culture para ouvir uma gravação dele a recitar uma dissertação sobre “A Linguagem comum da Ciência”, em 1941.

Abaixo, poderá encontrar uma tradução em Português do credo de Einstein, cortesia do Arquivo de Albert Einstein da Hebrew University of Jerusalem, Israel.

Não é muito referência, mas que ser fascinante. Ainda recentemente foi anunciado pelo Digital Einstein Project que 80 000 documento deixados por Einstein estão agora a ser digitalizados para poderem ser consultados de forma gratuita online pelo publico, e o que poderemos ver graças a isso é precioso. Um destaque é uma carta de Einstein para Marie Curie em 1911, e, simplesmente, ele diz à sua estimada colega para ignorar os invejosos e maledicentes.

E agora, cá esta o Credo de Einstein:

“O Meu Credo

É uma especial bênção pertencer aqueles que podem e irão dedicar todas as suas forças para a contemplação e exploração de coisas objectivas e intemporais. Que feliz e agradecido Eu sou por me ter sido dada esta bênção, que concede um grande grau de independência do nosso destino pessoal e da atitude dos nossos contemporâneos. Mas esta independência não nos deve retirar a consciência dos deveres que constantemente nos ligam ao passado, presente e futuro da humanidade num todo.

A nossa situação neste mundo parece estranha. Cada um de Nós aparece cá, involuntariamente e sem ser convidado, para uma curta estadia, sem saber o porquê nem o para onde. No nosso dia-a-dia nós sentimos que o Homem está cá apenas para o bem-estar de outros, para aqueles que amamos e para muitos outros que têm o seu destino conectado com o nosso. Muitas vezes sinto-me confuso com o pensamento de que a minha vida é baseada numa extensão tão vasta no trabalho de outros seres humanos, e Eu tenho a noção da minha gigante dívida de gratidão para com eles.

Eu não acredito no Livre Arbítrio. As palavras de Schopenhauer: ‘O ser humano pode fazer o que quiser, mas não pode decidir o que quiser’, acompanham-me em todos as situações pela minha vida e reconciliam-me com as acções dos outros, mesmo que elas sejam muito dolorosas para mim. Esta consciência da inexistência de Livre Arbítrio impede-me de me levar a mim e aos meus colegas de forma demasiado séria como indivíduos decisores e com poder de acção e impede-me perder a cabeça.

Eu nunca cobicei riqueza e luxo e até os desprezo bastante. A minha paixão por justiça social muitas vezes já me criou problemas com pessoas, tal como o fez a minha aversão a qualquer obrigação ou dependência que Eu não considerasse totalmente necessária. Eu tenho um grande respeito pelo individuo e um desgostar insuperável pela violência e fanatismo. Todos estes motivos tornaram-me num forte pacifista e antimilitarista. Eu sou contra qualquer chauvinismo, mesmo que seja a favor do mero patriotismo.

Privilégios baseados na posição ou propriedade sempre me pareceram injustos e nocivos, tal como qualquer culto de personalidade exagerado. Eu sou um aderente do ideal de democracia, apesar de conhecer bem a fragilidade da forma democrática de governo. Igualdade social e protecção económica dos indivíduos sempre me pareceram importantes metas do estado.

Apesar de eu ser um típico solitário no dia-a-dia, a minha consciência de pertencer à comunidade invisível daqueles que lutam pela verdade, beleza e justiça fazem com que não me sinta isolado.

A mais bela e profunda experiência que um homem pode ter, é o sentido de mistério. É o principio fundador das religiões também tal como todo o empenho na arte e na ciência. Aquele que nunca teve esta experiência para mim, se não está morto, é pelo menos cego. O sentir que por detrás de algo que pode ser experienciado existe algo que as nossas mentes não conseguem alcançar, que a beleza e sublimidade nos atinge indirectamente: isto é a religião. Neste sentido Eu sou religioso. Para mim basta contemplar estes segredos e tentar humildemente alcançar com a minha mente uma mera imagem de uma estrutura imponente de tudo o que existe”.

[ScienceAlert]

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