Cratera gigante na Sibéria continua a aumentar

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Existe na Sibéria uma cratera que está a aumentar rapidamente, os cientistas acreditam que este fenómeno se deve às alterações climáticas.

Próximo da bacia do rio Yana, na Sibéria, numa área de solo congelado, existe uma cratera em expansão, baptizada de Batagaika. A sua dimensão está a gerar alguma preocupação, um quilómetro de comprimento e 86 metros de profundidade, segundo conta a BBC, estão ambos a aumentar com o passar do tempo.

Se por um lado os moradores locais não se querem nem aproximar, por outro, os cientistas consideram o fenómeno uma ajuda fundamental e uma excelente oportunidade para conhecer melhor a evolução do clima. Numa análise preliminar deste fenómeno, publicada este mês no “Quaternary Research”, os cientistas que têm estudado esta cratera, garantem que pela observação das várias camadas do solo que a compõem, é possível entender outro fenómeno: o das alterações climáticas (que é o que os especialistas dizem ser a causa do crescimento do enorme buraco).

As diversas camadas da cratera, permitem o “registo contínuo da história geológica, o que é bastante pouco comum” de encontrar, explicou assim Julian Murton, cientista da Universidade de Sussex, do Reino Unido, citado pela BBC. Os especialistas acreditam que o estudo da cratera permite revelar 200 mil anos da história do clima, só pela análise das suas várias camadas.

Frank Günther, do Instituto Alfred Wegener, na Alemanha, tem monitorizado o local, juntamente com a sua equipa. Fazem-no há mais de uma década, através de imagens de satélite. O objectivo principal, é acompanhar as mudanças que vão ocorrendo e fazendo medições constantes. Num encontro de geólogos, no final do ano passado, apresentaram-se algumas conclusões, entre elas, a dimensão do problema: nos últimos 10 anos essa análise detalhada permitiu aferir que a cratera cresceu a alta velocidade, ou seja, cerca de 10 metros por ano.

“A cratera está a crescer de forma contínua e isso significa que está a ficar mais profunda a cada ano que passa”, explicou também em declarações à BBC.
Apesar de os especialistas terem um precioso elemento de estudo sobre o clima, avisam para os riscos que a cratera traz ao mesmo fenómeno que ajuda a perceber melhor: o das alterações climáticas. Isto porque os blocos de gelo que estão agora a ser expostos e que remontam à era glaciar, têm muita matéria orgânica armazenada, nomeadamente, carbono.

Assim, segundo Günther, a quantidade de carbono armazenada no gelo é a mesma que existe na atmosfera, à medida que o carbono vai sendo libertado, é consumido por micróbios que, por sua vez, produzem metano e dióxido de carbono que são libertados para a atmosfera, acelerando assim o aquecimento global.

Os especialistas chamam-lhe de “feedback positivo: aquecimento que acelera o aquecimento”, explicou Frank Günther, o mesmo cientista garante ainda que não existem infraestruturas que possam resolver a situação, pelo que acreditam que o futuro da Sibéria está comprometido.

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