A coluna vertebral humana poderá existir há cerca de 3.3 milhões de anos

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Depois de um fóssil encontrado em 2000 com 3.3 milhões de anos ter sido analisado, um grupo de pesquisadores obteve a mais completa coluna vertebral de qualquer parente humano ancestral, e tem agora uma imagem de um ponto de transição crucial no qual os nossos antepassados evoluíram para o bipedismo, e de acordo com o fóssil, os segmentos principais da estrutura espinal surgiram milhares de anos mais cedo do que se pensava anteriormente.

Os ossos em questão, conhecidos como Selam, foram encontrados em Dikika, na Etiópia, por Zeresenay Alemseged, um paleontólogo da University of Chicago, durante uma expedição de pesquisa. Ele tem estudado estes restos ancestrais desde a sua descoberta, que são estranhos não apenas devido a serem bastante completos, mas também devido à sua idade, de apenas 2.5 anos, tornando-a única uma vez que é o mais antigo e mais completo ancestral juvenil humano alguma vez descoberto.

“A dolorosa e continua pesquisa da Selam demonstrou que a estrutura do da coluna vertebral do ser humano em geral surgiu há cerca de 3.3 milhões de anos atrás, trazendo luz sobre um dos marcos da evolução humano”, disse Alemseged. “Este tipo de preservação nunca foi visto, particularmente num individuo jovem no qual as vértebras não estão integralmente fundidas”.

O Selam é um membro dos Australopithecus afarensis, o que significa que ela é uma parente do famoso fóssil descoberto em 1970, Lucy, e a Selam já foi diversas vezes alcunhadas de ‘Bebé da Lucy’, apesar de ser 120 000 anos anterior a esta.

O fóssil foi analisado neste ultimo estudo, com o recurso a tecnologia de imagem na European Synchrotron Radiation Facility em França, para visualizar as partes em falta.

“Esta tecnologia permite examinar de forma virtual os aspectos das vértebras que de outro modo seriam impossíveis de examinar”, disse um dos membros da equipa, o anatomista de evolução Fred Spoor do University College London.

Quando o fizeram, descobriram que a estrutura da coluna ocupa um lugar intermédio entre os seres humanos actuais e os seus antepassados, e a Selam, tal como nós, tem apenas 12 vértebras torácicas e 12 pares de costelas, o que é bastante menos do que os macacos no geral têm. Nós humanos, temos mais vértebras na parte inferior das nossas costas, por forma a tornar mais simples e natural a possibilidade de caminhar em pé.

Apesar de a estrutura espinal da Selam apresentar uma transição da junta torácica-a-lombar como outros antepassados do ser humano exibem, é a primeira vez que os pesquisadores vêm tal característica em conjugação com a nossa contagem de vértebras.

“Durante muitos anos, conhecemos vestígios fragmentários de espécies fósseis ancestrais que sugerem que a mudança das vértebras de suporte de nervuras ou torácicas para as vértebras lombares ou lombares foi posicionada mais alta na coluna vertebral do que nos seres humanos actuais”, disse uma das colaboradoras da equipa, Carol Ward da University of Missouri. “Mas não tínhamos até agora conseguido determinar quantas vértebras os nossos antepassados tinham. A Selam trouxe-nos a primeira pista de como a coluna dos nossos antepassados era organizada”.

O estudo deste fóssil, poderá nos ajudar a melhor compreender como se deu a evolução dos serem humanos até caminharem de pé, como o fazemos hoje.

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