Cientistas querem completar a “Árvore da Vida” de Charles Darwin

0

Os cientistas afirmam que Darwin só teve em linha de conta animais e plantas que podia observar, não incluindo assim outros seres vivos como os micróbios.

São os cientistas da Rutgers University-New Brunswick, nos Estados Unidos, que querem remodelar e completar a “Árvore da Vida” proposta por Charles Darwin na teoria da evolução, uma vez que essa não incluía os micróbios.

As propostas de alteração da “Árvore da Vida”, fundamental para Darwin poder explicar e defender a teoria da evolução por selecção natural, têm sido recorrentes, uma vez que cientistas de todo o mundo, apontarem a falha da “Árvore da Vida” darwiniana de ter em conta apenas os animais e plantas que Darwin podia observar e não o mundo dos micróbios.

Actualmente, num artigo publicado esta semana na revista “Tendências em Ecologia e Evolução”, os cientistas também discordam da “Árvore” de Darwin, mas vão ainda mais longe e propõem uma nova imagem, mais inclusiva, da evolução dos organismos e dos ecossistemas.

Charles Darwin (1809-1882) criou e desenvolveu a teoria de que a evolução se dá por selecção natural e sexual, e, no livro “A origem das espécies”, afirma que a evolução se dá a partir de um ancestral comum.

Agora, segundo os investigadores citados na revista, os avanços na ciência revelam que, o necessário, é uma abordagem interdisciplinar para classificar a vida, que incorpore as inúmeras espécies que dependem umas das outras para sobreviver, bem como as diversas bactérias que existem nos seres humanos, mas também nos corais, nas algas e nas plantas.

“Na nossa opinião não devemos classificar as bactérias ou fungos associados a uma espécie de planta em sistemas filogenéticos (árvores da vida) separados porque são uma unidade de trabalho da evolução”, afirmou Debashish Bhattacharya, professor da Universidade de Rutgers, acrescentando ainda que “o objectivo é transformar uma unidade bidimensional numa que seja multidimensional e inclua interacções biológicas entre espécies”.

A “Árvore da Vida” tem de ter ramos exemplificando como diversas formas de vida, como as bactérias, plantas ou animais, estão relacionadas. Muita da biodiversidade da Terra consiste em micróbios, como as bactérias, vírus ou fungos, e eles muitas vezes interagem com plantas, animais e outros hospedeiros, de forma benéfica ou prejudicial.

Os autores deste trabalho propõem uma nova “Árvore da Vida” que incorpore simbioses, relações de interdependência entre organismos.

Pretendem para isso usar métodos computacionais sofisticados para obterem uma imagem mais ampla e inclusiva da evolução dos organismos e dos ecossistemas. Porque, em vez de incluir simbioses, a “Árvore da Vida” (de Darwin) baseia-se essencialmente em espécies e linhagens individuais, como se fossem independentes de outros ramos da “Árvore”.

Os autores do trabalho acreditam ainda que uma “Árvore da Vida” melhorada pode potenciar impactos transformadores em muitas áreas de ciência, tecnologia e sociedade.

Leave A Reply