Cientistas europeus vão testar em humanos produtos do dia a dia

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O programa envolve cerca de 100 países e 74 milhões de euros. O objectivo é fazer avaliações de risco em humanos, a substâncias que podem ser tóxicas e que estão em produtos como biberões de bebé.

A Iniciativa Europeia de Biomonitorização Humana (HBM4EU), foi lançada pela Comissão Europeia para analisar substâncias químicas que podem intoxicar os seres humanos. Este programa, terá início no próximo ano de 2017e durará até 2021, conta também com um financiamento de 74 milhões de euros e com a participação de 100 investigadores de 26 países europeus, segundo a fonte El País.

Argelia Castaño, directora do Centro Nacional de Saúde Ambiental, vai liderar a delegação espanhola no projecto, explicou à mesma publicação que é necessário fazer uma avaliação do risco dos novos produtos de consumo antes de serem aprovados. Além desta análise a substâncias isoladas, o programa também tem como objectivo analisar, como é que a interacção de diferentes substâncias pode ter impacto no ser humano.

“Quando os medicamentos são colocados no mercado, as avaliações de risco que se fazem, acontecem em laboratórios que não são tão abrangentes quanto deveriam”, explicou Argelia Castaño, acrescentando que as das farmacêuticas, são realizadas em animais de laboratório, o que faz com que as estimativas das concentrações de químicos a que a população está exposta, sejam imprecisas. “A biomonitorização humana serve para introduzir mais precisão na hora de estabelecer uma exposição real aos agentes contaminadores”, afirmou.

No centro do programa, estão nove substâncias que estão presentes em objectos que consumimos quase todos os dias. A análise à sua presença no organismo humano, vai basear-se em análises ao sangue, urina, da placenta, ao sangue do cordão umbilical e a algumas gorduras. Uma das substâncias visadas é o bisfenol, que está presente em embalagens de plástico, sejam garrafas de água ou biberões para bebés. Apesar de a União Europeia ter concluído em 2015 que não são perigosos para a saúde, há países que optaram por proibir esta substância.

Algumas das substâncias presentes em alguns produtos electrónicos, também vão ser analisadas. “Os efeitos dos produtos químicos sobre a saúde são evidentes, e está claro que é preciso exercer um controlo mais rigoroso”, afirmou Argelia Castaño, acrescentando ainda que é necessário estudar os efeitos a longo prazo.

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