Cientistas bateram o record da mais rápida transmissão de dados sobre Fibra Óptica

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Não importa o quão rápidas as nossas ligações de banda larga se tornem, parece que queremos sempre mais – e as boas notícias é que mais vem a caminho. Uma equipa de engenheiros acabou de estabelecer um novo tipo de tecnologia baseada em laser para arrebatar os records de transferência de dados, atingindo uns fantásticos 57 gigabits por segundo a temperatura ambiente

Este factor de temperatura ambiente é importante, porque demonstra que a tecnologia poderá eventualmente ser aplicada às nossas casas e escritórios (tipicamente, quando mais alta a temperatura, mais lenta a transferência de dados). E mais, os bits e bytes enviados sem quaisquer erros – outro factor significante para tornar a tecnologia viável para os mercados em massa.

Para ter ideia, 57 Gbps é o suficiente para transferir um Blu-ray inteiro em apenas alguns segundos. Esta é a velocidade de transferência de dados mais rápida de sempre sobre um novo tipo de laser chamado de vertical-cavity surface-emitting laser (VCSEL), que é utilizado sobre linhas de fibra óptica – o tipo de cabos que conectam a maior parte da infraestrutura de banda larga que está hoje em dia instalada em nossas casas e escritórios.

“A nossa grande questão sempre foi, como fazer com que a informação se transmita de forma mais rápida?” disse o pesquisador principal Milton Feng da University of Illinois, de cuja equipa atingiu velocidades de 40 Gbps em 2014.

“Existem muita informação pelo mundo fora, mas se a sua transmissão de dados não for rápida o suficiente, não poderá utilizar os dados colectados; não poderá utilizar então utilizar as tecnologias de próxima geração que utilizam grande volumes de dados, como a realidade virtual”, acrescenta ele. “As comunicações sobre fibra óptica irão aumentar porque existe uma maior velocidade de transferência de dados, especialmente a grandes distâncias”.

Os novos lasers VCSEL trabalhar utilizando impulsos de luz mais nítidos e eficientes. O que faz a tecnologia tão promissora é que não só poderá trabalhar a temperatura ambiente – poderá também trabalhar a temperaturas superiores. Velocidades de 50 Gbps foram registadas a 85 Graus Celsius, e isso poderá ser crucial para várias aplicações industriais, mesmo que a sua sala nunca atinja tais temperaturas.

Pense nos grandes data centres (Centros de Dados) utilizados pelo Amazon e o Facebook: sendo capaz de operar estes servidores sem a necessidade de grandes unidades de refrigeração seria um bónus definitivamente (e muito menos exigente em termos de gasto energético).

“É por isso que os data centres são refrigerados e têm sistemas de arrefecimento”, diz Feng. “Para os data centres e para a utilização comercial, toda a gente preferiria aparelhos que não necessitem de refrigeração. O aparelho tem de ser operacional desde a temperatura ambientes até aos 85 graus sem se ter de gastar energia e recursos para arrefecer”.

O grupo irá apresentar as suas descobertas na Optical Fibre Communication Conference and Exposition na Califórnia esta semana, então até elas serem publicadas num jornal científico credenciado, temos de nos manter um pouco cépticos. E o próximo desafio para a equipa será demonstrar que eles conseguem atingir as mesmas velocidades fora do meio laboratorial.

Mas o que é realmente interessante é que apesar de você provavelmente já ter lido acerca de vários records batidos em velocidade de transmissão de dados nos últimos meses, todos eles se baseiam em diferentes tecnologias que requerem gigantes alterações a nível de infraestruturas para permitir que cheguem até nossa casa. A diferença com este novo record de velocidade é que o mesmo foi atingido com uma infraestrutura bastante similar à utilizada hoje em dia, o que significa que poderá chegar ao consumidor mais rápido do que pode pensar.

[ScienceAlert]

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