Células estaminais testadas na cura da diabetes tipo 1

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Duas pessoas com diabetes do tipo 1 que receberam na semana passada, um implante com células estaminais para produzir insulina na tentativa de “curar” a doença, segundo uma notícia publicada esta semana na revista New Scientist.

Esta é a primeira vez que um implante com células estaminais é utilizado para tratar a diabetes do tipo 1. Num espaço de três meses, os especialistas vão saber se o dispositivo controla de facto a diabetes. Uma terceira pessoa irá também receber este tratamento experimental numa fase posterior.

A diabetes do tipo 1 é uma doença auto-imune que vai, progressivamente, destruindo as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina, uma hormona que desvia a glicose que está no sangue para as células, evitando assim os efeitos negativos deste açúcar. Os pacientes com este problema têm que administrar insulina diversas vezes ao longo do dia para controlar o nível da glicose no sangue.

Ainda que existam condicionantes genéticas, sabe-se muito pouco sobre as causas desta doença. São cerca de 10% das 442 milhões de pessoas com diabetes no mundo que sofrem do tipo 1. As restantes têm diabetes do tipo 2, que surge ao longo da vida uma vez que o corpo se torna insensível à insulina ou simplesmente produz menos hormona do que o necessário.

O implante, de nome PEC-Direct, é produzido pela empresa Viacyte, em San Diego, na Califórnia e tem o tamanho de um cartão de crédito. No implante estão contidas as células estaminais que, uma vez dentro do corpo, entram num processo de maturação que dura cerca de três meses, especializando-se para produzir a insulina. Estas células foram originadas a partir de um embrião nos primeiros estágios de desenvolvimento não aproveitado por uma mulher que fez fertilização in vitro.

Assim que os níveis de açúcar do corpo sobem, espera-se que as células do implante iniciem a produção da hormona para reduzir os níveis de glicose. E como as células implantadas não pertencem aos doentes, é necessário utilizar medicação para suprimir o sistema imunitário não deixando que o corpo ataque o implante.

“Se resultar, podemos chamar de ‘cura funcional’”, afirmou Paul Laikind, da Viacyte, citado pela New Scientist. “Não é uma verdadeira cura porque não resolve o problema autoimune que causa a doença, mas estaríamos a substituir as células que estão em falta”.

Num outro ensaio feito previamente em 19 pessoas, a empresa provou que as células estaminais se desenvolviam em ilhotas de Langerhans – o grupo de células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. No entanto, tento em conta que eram poucas células, aquele ensaio não foi feito para tratar a diabetes.

O novo implante pode ser colocado no antebraço, como é poroso, permite que os vasos sanguíneos o penetrem, de modo a alcançar as células estaminais que podem ser alimentadas.

“Se este tratamento tiver sucesso, esta estratégia pode realmente alterar a forma como tratamos a diabetes do tipo 1 no futuro”, afirmou Emily Burns da Diabetes UK, uma instituição dedicada à doença, citada também pela New Scientist. Até agora, o único tratamento equivalente passa pelo transplante de células do pâncreas de órgãos de dadores, e a técnica resulta, mas é limitada ao número de dadores de órgãos.

Há já 15 anos que se tentam usar células estaminais para tratar a doença, mas sem sucesso, se este implante funcionar, deixa de existir um problema de stock com os órgãos. As células estaminais poderão ser multiplicadas para se produzir os implantes necessários.

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