A camada de ozono não está a recuperar devido a químicos

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A recuperação do buraco na camada do ozono, (um escudo da atmosfera que protege os seres vivos dos raios ultravioleta), pode demorar pelo menos mais 30 anos do que inicialmente previsto, tudo isto devido ao aumento de emissões de um químico utilizado em substâncias rotuladas como “amigas do ozono”.

Este aviso foi dado por um investigador da Universidade de Lancaster, Reino Unido, que estuda como as alterações químicas da atmosfera influenciam o clima no planeta Terra.

Segundo Ryan Hossaini, o diclorometano (CH₂Cl₂) é um líquido incolor e volátil, geralmente utilizado como solvente industrial ou produto para remover tintas, para descafeinar café, preparar extractos de plantas, produzir aerossóis ou espumas de poliuretano e ainda construir aparelhos de ar condicionado ou frigoríficos.

A utilização desse químico na indústria tem aumentado bastante desde que os produtos baseados em cloro e clorofluorocarbonetos (CFCs) têm sido mais controlados pelo Protocolo de Montreal (a indústria tem emitido para atmosfera um milhão de toneladas de diclorometano por ano). As concentrações dediclorometano nas camadas mais inferiores da atmosfera duplicaram desde 2004.

Ainda assim, muitos dos produtos contendo diclorometano, são rotulados como “amigos do ozono”, o que pode não corresponder à realidade. O diclorometano é uma substância cada vez mais utilizada para produzir uma molécula frequentemente utilizada para substituir clorofluorocarbonetos (CFCs) na indústria, o difluorometano (CH2F2). O problema é que, quando chega à atmosfera, o diclorometano começa a deteriorar-se ao fim de cinco meses, libertando assim cloro que, por sua vez, destrói o ozono quando chega às camadas mais exteriores da atmosfera.

O Protocolo de Montreal foi um tratado assinado em Setembro de 1987, em que os países signatários se comprometem a substituir as substâncias químicas que destroem a camada de ozono por outras menos nocivas, tudo na tentativa de diminuir o buraco que havia sido detectado por cima da Antártida. Entre todas as substâncias químicas prejudiciais para o ambiente, 15 são tipos de clorofluorocarbonetos. Entre eles não está o diclorometano uma vez que, na época, julgava-se que essas moléculas se destruíam muito antes de chegarem às camadas estratosféricas (as mais exteriores da atmosfera, onde está a camada de ozono).

Dados recentes dizem que o diclorometano é mais nocivo do que pensávamos.

Segundo Ryan Hossaini, por agora, essa substância é responsável por menos de 1% da concentração de cloro nas camadas mais inferiores da atmosfera. No entanto, em 2050, seguindo este ritmo de utilização, um quarto dessa concentração pode ter sido provocado pelo diclorometano.

Ryan Hossaini vai mais longe afirmando que “as perspectivas de que o buraco de ozono vai estar fechado em 2065 não têm em conta o aumento das emissões de diclorometano: se levarmos essas emissões em conta, o buraco de ozono só poderá deixar de existir, nas melhores perspectivas, em 2095”.

Julga-se que o continente que mais emite diclorometano para a atmosfera é a Ásia.

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