BepiColombo: Portugueses ajudam em missão a Mercúrio

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Foi iniciada há poucas horas, uma missão ao mais pequeno planeta do sistema solar, que é também o mais próximo da nossa estrela, e esta missão conta não só com o apoio de uma empresa Portuguesa, como também com uma cientista lusa.

A equipa científica da missão europeia ao nosso planeta vizinho, Mercúrio, conta com o apoio da Astrofísica Portuguesa Joana S. Oliveira, e também da reconhecida empresa Portuguesa, Efacec, responsável pela criação e desenvolvimento de um equipamento electrónico que será responsável pela monitorização da radiação espacial no decorrer da viagem.

A missão, nomeada de BepiColombo resulta dos trabalhos de cooperação entre a Agência Espacial Japonesa (JAXA) e a Agência Espacial Europeia (ESA), e consiste no lançamento de duas sondas através da base de Kourou, sita na Guiana Francesa, que irão ser transportadas pelo Foguetão Ariane 5, e estima-se que estas irão orbitar o planeta mais próximo do Sol, durante cerca de 7 anos, sendo que a sonda da ESA, irá estudar a sua superfície, o interior e a camada exterior da atmosfera, conhecida como Exosfera, enquanto que a outra, irá analisar a Magnetosfera do planeta.

A investigadora Joana S. Oliveira, partilhou com a Lusa, que a missão a Mercúrio é uma peça bastante importante para a melhor compreensão da evolução do nosso Sistema Solar, uma vez que Mercúrio é, a par da Terra, o único planeta rochoso que possui um campo magnético com base no mecanismo de dínamo no seu núcleo líquido.

A investigação e melhor compreensão do funcionamento deste campo magnético, representa um passo bastante importante, uma vez que este permitirá melhor entender a evolução do campo magnético do nosso planeta, grande responsável pela protecção da Terra contra a nociva radiação solar. Apesar de a sonda MESSENGER, a sonda da NASA que orbitou o primeiro planeta do sistema solar durante quatro anos, ter sido um grande avanço e ter respondido a algumas questões, deixou por esclarecer algumas questões, às quais esta nova missão pretender responder.

A investigadora explica que na anterior missão, a sonda tinha de se distanciar do planeta para arrefecer, adoptando assim uma órbita elíptica que assim impediu esta de fazer medições consideradas cruciais, ao hemisfério sul de Mercúrio, e devido ao mesmo factor, o mapeamento do campo magnético das rochas do planeta, foi também elaborado numa banda de latitude bastante reduzida.

O equipamento desenvolvido e testado pela Efacec, está integrado na sonda da ESA, e tem a capacidade de detector o impacto de partículas como protões e electrões, conseguindo distinguir as partículas e determinar a gama de energias em que estas se encontram, e ao medir a quantidade destas partículas, permite à sonda desligar módulos mais sensíveis durante períodos de maior actividade solar, evitando assim o desgaste prematuro dos módulos electrónicos da sonda.

A missão que irá recolher dados do planeta pelo menos durante um ano, tem na origem do seu nome, uma homenagem ao matemático e engenheiro Italiano, Giuseppe (Bepi) Colombo, que investigou o planeta e viveu entre 1920 e 1984.

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