Astrónomos descobrem Galáxia Gigante a Orbitar a Via Láctea

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Uma gigante galáxia a orbitar a nossa Via Láctea apareceu aparentemente do nada. A recentemente detectada galáxia anã, que foi apelidada de Crater 2, está a cerca de 400 000 anos-luz de distância, e já ganhou o título da quinta maior galáxia conhecida a orbitar a nossa.

Mas então como é que uma galáxia tão grande se manteve escondida por tanto tempo? A Crater 2 sempre esteve no mesmo sítio, discretamente orbitando a nossa própria galáxia gigante. Mas as suas estrelas são tão difusas que é incrivelmente escura, e tem estado ofuscada até agora pelos seus vizinhos mais brilhantes. De facto, é uma das galáxias mais sumidas alguma vez detectadas no Universo.

“Esta é realmente uma descoberta bastante rara”, o pesquisador principal Vasily Belokurov da University of Cambridge no Reino Unido disse ao The Huffington Post. “Uma galáxia como a Crater 2 é como que um objecto invisível”.

Até onde sabemos, a Via Láctea é orbitada por outras 49 galáxias, mas esta pesquisa sugere que eventualmente existam outras galáxias negras, dentro da nossa própria vizinhança cósmica, que se manteve escondida por causa da sua difusa, e quase que fantasmagórica aparência.

A Crater 2 foi primeiramente detectada em Janeiro, quando os astrónomos utilizaram um algoritmo informático para estudar imagens tiradas pelo Very Large Telescope (Telescópio Muito Grande) no Chile, e depois identificar zonas onde possam existir aglomerados de estrelas fora do comum – um desses aglomerados acabou por ser a Crater 2.

Como as galáxias não costumam ter extremidades definidas, os astrónomos muitas vezes descrevem-nas em termos do seu ‘diâmetro de meia-luz’, o que basicamente significa o diâmetro da parte da galáxia que emite metade da sua luz.

Como base na análise até agora, os astrónomos calculam que a Crater 2 tenha um diâmetro de meia-luz de cerca de 7000 anus-luz, o que significa que se a conseguíssemos observar no céu noturno, ela iria parecer duas vezes maior do que a lua cheia – mas também muito mais difusa, por causa da distância entre as suas estrelas.

A ilustração abaixo mostra como a Crater 2 se aparentaria fosse 1000 vezes mais luminosa do que realmente é, com a Lua para escala:

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“São ordens de magnitude menos luminosas quando comparadas com a maior parte dos objectos com dimensão similar”, disse Belokurov. “É extremamente difusa. Nós acreditamos que já nasceu assim ténue. Mas porquê, não sabemos ainda”.

Nos últimos 10 anos, o número de galáxias satélite conhecidas dobrou, o que sugere que ainda temos muitos para aprender acerca das galáxias que orbitam a nossa.

De facto, existe sinais de que a própria Crater 2 poderá ela própria fazer parte de um pequeno grupo de galáxias que estão a ser atraídas para dentro da Via Láctea.

“Parece estar alinhada com uns quantos outros objectos astronómicos próximos, o que poderá nos ensinar como o nosso grupo de galáxias se formou”, disse ao Huffington Post, Jay Pasachoff, um astrónomo do Williams College em Massachusetts que não esteve envolvido no estudo.

Belokurov e a sua equipa já estão a utilizar a nova técnica de identificação de galáxias para identificar o que mais nos pode ter escape por aí a fora, com a esperança de eventualmente melhor entender a evolução da nossa própria galáxia. Uma coisa é certa – no que toca ao espaço, ainda temos muito para descobrir.

A pesquisa foi publicada no Boletim Mensal da Royal Astronomical Society.

[ScienceAlert]

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