Armazenamento assistido a calor poderá dar-lhe 10x mais espaço no disco rígido

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Se está sempre a ficar sem espaço para fotos, vídeos, e musica no seu portátil, então a ciência poderá ter a solução. Utilizando um laser para escrever no armazenamento magnético, os pesquisadores conseguirem aumentar a capacidade de dados potencial dos discos rígidos cerca de 10 vezes – um processo conhecido como Gravação Magnética Assistida a Calor (HAMR).

Os nossos computadores escrevem, lêem, e armazenam informação controlando e detectando se pequenas regiões do disco estão ou não magnetizadas. Este estado magnético corresponde a “0” ou “1” em código binário – conhecido com bit – e os nossos ficheiros são armazenados ao longo de centenas (ou milhões) destes bits de cada vez. Então se queremos mais espaço, precisamos de encontrar uma maneira de encolher estas regiões magnéticas – que são constituídas por grãos magnéticos. E é aí que entra este novo desenvolvimento.

Como a Gizmodo reportou, a nova técnica baseia-se em encolher o tamanho dos grãos magnéticos utilizados para armazenar dados, minimizando a interferência com outros grãos, e os pesquisadores conseguiram agora fazê-lo de forma mais eficiente do que nunca utilizando um laser preciso ao longo do campo magnético.

Mas o que significa isso? Para entender isto, tem de primeiro perceber um pouco mais sobre as limitações do armazenamento magnético hoje em dia, onde existe uma necessidade de balancear a capacidade de ler, de escrever, e a estabilidade.

Os fabricantes já atingiram previamente um limite em termos de tornar os grãos magnéticos mais pequenos, porque os grãos circundantes fizeram com que os novos grãos deslizassem e assim os ficheiros gravados no disco ficassem destruídos.

Existe material magnético que é mais resistente a este deslizamento, mas é mais difícil escrever nele, e requer um campo magnético maior para armazenar os dados, o que por sua vez causa maior interferência. É aqui que esta nova técnica com laser pode ajudar – permite uma maior precisão (os grãos resultantes têm um tamanho de apenas uns nanómetros) com um campo magnético inferior ao aquecer os grãos primeiro.

É uma aproximação que na verdade já existe há uns tempos, mas os cientistas ainda estão a trabalhar nas limitações da tecnologia. Uma equipa de pesquisadores de TU Wien na Austria, que conseguiram utilizar esta tecnologia para encaixar 13.23 terabits em apenas dois centímetros quadrados de unidade de disco. Esse tipo de armazenamento comparasse favoravelmente tanto ao Blu-ray (12.5 Gigabits por dois centímetros quadrados) e as melhores unidades de disco no mercado (1.34 terabits por dois centímetros quadrados).

“Nós desenvolvemos um modelo de simulação realístico que o complexo processo HAMR, que permite calcular com precisão as dinâmicas de escrita de um dispositivo num período razoável de tempo de simulação,” disse o co-autor do estudo Christoph Vogler à Phys.org. “Consequentemente, poderíamos sistematicamente optimizar os parâmetros principais do processo de escrita para demonstrar que um dispositivo HAMR com 10Tb/2cm² e mais é viável e como tais densidades podem ser alcançadas”.

Infelizmente, escrever dados numa simulação laboratorial não é a mesma coisa que equipar o portátil com isso que possa ser colocado na nossa secretária, e a equipa diz que irão passar alguns anos ainda até que a tecnologia possa ser viável o suficiente para poder ser utilizada em electrónica de consumo. Portanto no entretanto, poderá ter de comprar um disco externo para armazenar todas essas fotos

[ScienceAlert]

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