93% dos pacientes com leucemia em remissão depois de terapia experimental com células T

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Os médicos estão a reportar “extraordinários” resultados depois dos primeiros testes clínicos de um tipo experimental de imunoterapia contra leucemia avançada.

A nova técnica foi testada em 29 pacientes com estado avançado de leucemia que não tinham outras opções. Depois da terapia, 27 deles entraram em remissão – esta é uma incrível taxa de sucesso de 93 porcento. Um paciente que não teve sucesso na primeira vez que fez o tratamento, entrou em remissão depois de uma segunda vez, com doses maiores.

Para sermos claros, este é um teste bastante precoce e nem todos os pacientes continuaram em remissão. Por outras palavras, é demasiado cedo para ficarmos demasiado animados sobre o que isto significa para o futuro da leucemia.

Mas é promissor que os pacientes que já não têm outros meios de tratamentos possam eventualmente ter outra opção disponível.

“Os pacientes que fizeram parte dos testes têm possibilidade de tratamento realmente limitadas. Portanto o facto de estarmos a ter tanta remissão está a dar a esta pessoas uma hipótese de continuar” disse o principal pesquisador Cameron Turtle do Fred Hutchinson Cancer Research Centre em Seattle.

“Não são esperados resultados como estes em fases precoces de testes. É por esse motivo que estas taxas de resposta são tão extraordinárias”, acrescentou um dos seus colaboradores, David Maloney.

O novo tratamento utiliza o próprio sistema imunitário do corpo para atacar as células cancerosas. Num mundo perfeito, o sistema imunitário iria fazê-lo de qualquer maneira, mas as nossas células T nem sempre conseguem detectar as células cancerosas na nossa corrente sanguínea e, uma vez que os tumores se formem, utilizam todo as técnicas possíveis para se manterem escondidos.

Para ultrapassar isto, os pesquisadores extraíram as células T dos pacientes através de amostras de sangue, e depois arquitectaram geneticamente essas células T para conterem uma molécula receptora chamada CAR (ou receptor antigénico quimérico, se quiser o nome técnico). A CAR é importante porque reconhece e atinge as células que carregam o marcador chamado CD19 – e, como deverá ter pensado, ele está presente em muitas das células avançadas de leucemia.

Os pesquisadores depois multiplicam estas novas e melhoradas células T, a que chamaram ‘CAR T’, no laboratório, para terem suficientes para injectar de volta nos pacientes. A ideia é que as células CAR T irão procurar e atacar a leucemia.

E, de acordo com estes primeiros estudos, funciona bastante bem. Algumas semanas depois do tratamento, um teste extremamente rigoroso não conseguiu detectar nenhum vestígio do cancro na medula óssea de 93 porcento dos pacientes.

Tentativas de imunoterapias experimentais similares também tiveram resultados bastante interessantes nos testes precoces.

Mas os pesquisadores avisam que ainda é muito cedo para sabermos quais os resultados de longo-prazo. O estudo estava limitado no tamanho de amostra, e alguns dos pacientes tiveram recaídas depois do tratamento inicial. Os efeitos secundários também foram extremos em alguns dos pacientes, os mais comuns sendo febres altas e baixa pressão sanguínea. Em muitos dos pacientes, o cancro acabou por se tornar resistente às células CAR T.

Mas é um bom ponto de partida. Agora que temos estes resultados iniciais promissores, testes mais extensos estão a ser planeados para descobrir como poderemos melhor utilizar esta nova terapia.

“Isto é apenas o começo”, disse Turtle. “É fantástico poder dizer que conseguimos mais de 90 porcento de remissões, mas ainda existe muito trabalho a fazer para termos a certeza de que são remissões duradouras, para sabermos quem poderá beneficiar mais, e estender este trabalho a outras doenças”.

Os resultados foram publicados no Journal of Clinical Investigation.

[ScienceAlert]

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